Críticas a Wilder Morais aprofundam divisão no PL goiano
O partido, que deveria concentrar esforços na construção de um palanque competitivo para 2026, encontra-se mergulhado em disputas domésticas, rivalidades pessoais e desconfianças mútuas
O bate-boca entre os deputados estaduais Major Araújo e Amauri Ribeiro, ambos do PL, durante sessão da Assembleia Legislativa de Goiás na quarta-feira (6), jogou luz sobre uma crise que há tempos corrói os bastidores do partido em Goiás. A troca pública de acusações expôs, sem qualquer filtro, o ambiente de desconfiança, disputa interna e fragmentação que cerca a legenda comandada pelo senador Wilder Morais, pré-candidato ao governo do Estado.
O que antes era tratado nos corredores e grupos reservados agora ganhou o plenário da Alego, diante das câmeras e da opinião pública. A origem da crise remonta à polêmica votação no Senado que rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Wilder Morais decidiu se ausentar da votação, atitude que rapidamente gerou reação entre bolsonaristas nas redes sociais.
Parte significativa da militância conservadora interpretou a ausência como um gesto de conveniência política ou, no mínimo, de comodismo diante de uma pauta considerada prioritária pela oposição ao governo Lula. O desgaste aumentou após notícia divulgada pelo jornalista Otávio Guedes, da GloboNews, apontando que o nome de Wilder constaria numa lista do governo federal de “senadores em dúvida” quanto ao voto.
Foi nesse contexto que Amauri Ribeiro criticou publicamente a postura do senador, provocando reação imediata de Major Araújo, aliado histórico de Wilder. Araújo questionou a legitimidade do colega para levantar suspeitas sobre o senador e insinuar eventual recebimento de vantagens.
Amauri rebateu chamando o parlamentar de mentiroso e insistiu que apenas apontou um fato político: Wilder preferiu não votar. A cena evidencia que o conflito interno ultrapassou divergências estratégicas e entrou no terreno pessoal.
Argumento matemático
Wilder tenta se defender sustentando um argumento matemático: numa votação em que o governo precisava de 41 votos, a abstenção teria o mesmo efeito prático do voto contrário.
A explicação, contudo, não parece suficiente para conter o desgaste junto à base bolsonarista, acostumada a exigir enfrentamento explícito ao PT e ao governo Lula. Na política, sobretudo em ambientes radicalizados, simbolismos costumam pesar mais do que tecnicalidades regimentais.
