junho 27, 2026

Prefeito de Goiânia amplia ofensiva judicial contra deputado

0

Sandro Mabel afirma não pretender impedir críticas ou denúncias relacionadas à administração municipal, mas sustenta que Clécio Alves teria ultrapassado a fronteira da imunidade parlamentar ao recorrer a xingamentos e insinuações criminosas sem prova pública imediata

1777765556-sandro-e-clecio

O acirramento da guerra política entre o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), e o deputado estadual Clécio Alves (PSDB) ganhou um novo capítulo. Mabel decidiu recorrer novamente ao Judiciário para tentar frear aquilo que classifica como uma “campanha pejorativa” promovida pelo parlamentar tucano.

Em ação protocolada no Tribunal de Justiça de Goiás, nesta semana, o prefeito pede tutela inibitória liminar para impedir que Clécio continue utilizando expressões ofensivas como “canalha”, “vagabundo”, “malandro”, “corrupto”, “operador de propina”, “raposa tomando conta do galinheiro” e “biscoito”, além de outras manifestações que considera humilhantes e degradantes. A ofensiva judicial evidencia não apenas um desgaste institucional, mas também a radicalização do discurso político em Goiânia.

Na petição, Mabel sustenta que Clécio extrapolou os limites da fiscalização parlamentar e transformou a tribuna da Assembleia Legislativa e as redes sociais em instrumentos permanentes de ataque pessoal. Segundo o prefeito, o deputado passou a utilizar cortes de vídeos, cards, reels e publicações sucessivas para alimentar uma narrativa de destruição reputacional, impulsionando acusações e apelidos ofensivos como estratégia de engajamento político digital.

O caso chama atenção porque já não se trata de um episódio isolado. O próprio prefeito afirma que já ajuizou mais de uma dezena de ações — cíveis e criminais — contra Clécio Alves, todas relacionadas a supostos crimes contra a honra. A repetição das demandas revela o tamanho da deterioração da relação entre os dois adversários políticos e expõe um ambiente em que o debate público parece cada vez mais contaminado pela lógica do confronto pessoal permanente.

Na prática, a política goiana assiste à substituição do embate programático por uma guerra de vídeos, cortes virais e acusações públicas de corrupção, muitas vezes sem qualquer filtro institucional.

Retratação pública

O pedido à justiça vai além da simples remoção de conteúdo. Mabel requer retratação pública nas redes sociais do deputado, indenização por danos morais de R$ 150 mil e determinação judicial para impedir novas publicações ofensivas.

Também pede que a ação tramite originariamente no Tribunal de Justiça de Goiás, sob o argumento de que Clécio Alves, por exercer mandato de deputado estadual, possui foro por prerrogativa de função.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *