junho 27, 2026

Wilder esperava impulso de Flávio na sua pré-campanha, mas recebeu uma crise

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Com encontro marcado com o PL goiano para o final de junho, o filho de Jair Bolsonaro é visto entre aliados como o visitante que ninguém sabe mais se ajuda ou atrapalha

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A direita brasileira ainda tenta calcular os estragos provocados pela revelação da conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo envolvendo o Banco Master. O episódio, que ultrapassou o mero desgaste circunstancial, atingiu um dos ativos mais valiosos para qualquer político: a coerência do discurso.

O caso ainda está sendo processado nacionalmente, mas seus efeitos já chegaram aos estados, onde aliados apostavam no peso eleitoral de Flávio para impulsionar candidaturas locais. Em Goiás, a preocupação não é pequena. O senador Wilder Morais, pré-candidato do PL ao governo estadual, tem encontro marcado para 27 de junho e contava com a presença de Flávio Bolsonaro como peça estratégica para tentar oxigenar uma pré-campanha que, até aqui, patina.

Wilder enfrenta uma combinação politicamente perigosa: índices muito baixos nas pesquisas, dificuldades para ampliar sua base e uma crise interna que já deixou fissuras públicas dentro do partido. O PL goiano, há meses, vive sob ruídos entre lideranças e divergências sobre estratégia eleitoral. A expectativa era que a presença de Flávio servisse para transmitir uma imagem de unidade, força e alinhamento.

O problema é que a fotografia planejada agora corre o risco de registrar exatamente o contrário. O dilema do PL goiano não é pequeno porque a legenda precisa compreender como reagirá justamente o segmento mais decisivo do eleitorado conservador: aquele menos ideológico e menos movido pela fidelidade automática ao bolsonarismo.

O eleitor mais radical tende a relativizar crises e absorver narrativas defensivas. Já o eleitor de centro-direita, mais pragmático, costuma ser menos tolerante a episódios que envolvem suspeitas, contradições e desgaste moral.

Ativo eleitoral duvidoso

A situação piora diante de informações de que recursos pagos por Vorcaro para financiar o filme em homenagem a Jair Bolsonaro — cerca de R$ 61 milhões, segundo relatos que circulam no debate político — teriam, supostamente, financiado outras despesas ligadas ao entorno familiar bolsonarista. O fato político, portanto, já está posto: a presença de Flávio em Goiás deixou de ser um ativo eleitoral óbvio.

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