Pesquisa para o governo de Goiás some e intriga bastidores
Na política, quando uma pesquisa eleitoral desaparece do sistema do TSE antes de sua divulgação, a curiosidade sobre seus números costuma falar mais alto do que qualquer justificativa formal
Nos bastidores da política goiana, um episódio ocorrido na semana passada ficou longe de ser tratado como algo corriqueiro. A pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-04208/2026, encomendada pela empresa Vitorino e Mendonça, do estrategista Marcelo Vitorino — responsável pela comunicação da pré-campanha de Marconi Perillo (PSDB) —, simplesmente desapareceu do sistema antes da sua divulgação.
O levantamento, que seria realizado pelo Ipespe e divulgado no último dia 17, tinha como objetivo medir a corrida ao Governo de Goiás e ao Senado Federal. Até aí, nada fora do normal. O que chama atenção é justamente o fato de que uma pesquisa registrada, anunciada e aguardada pelo meio político tenha sido retirada do radar sem qualquer explicação pública conhecida.
É verdade que existem razões legítimas para o cancelamento de uma pesquisa. O instituto ou o contratante podem desistir da divulgação por questões técnicas, metodológicas, financeiras ou operacionais. O próprio regulamento permite o cancelamento do registro antes da publicação dos números.
O problema é que, na ausência de esclarecimentos, o vazio acaba sendo preenchido por especulações. E, convenhamos, em política raramente se abandona uma pesquisa que produz resultados animadores.
Quando os números confirmam expectativas, costumam virar manchetes, discursos e material de campanha. Quando desaparecem antes de serem divulgados, surge inevitavelmente a pergunta que circula entre lideranças e analistas: o que os dados mostravam?
Vantagem consistente
A dúvida ganha força porque os principais levantamentos divulgados até agora apontam uma realidade pouco confortável para a oposição. Em diferentes pesquisas realizadas nos últimos meses, Daniel Vilela (MDB) aparece liderando a disputa pelo governo com vantagem consistente sobre Marconi Perillo.
Em alguns cenários, a distância supera os 20 pontos percentuais. Wilder Morais (PL) surge na sequência, em média 10 pontos atrás do segundo colocado.
