setembro 7, 2026

A pergunta que o senador Wilder Morais preferiu não responder

0

Candidato ao governo de Goiás evita dizer se Iris apoiaria a filha no PL e expõe a contradição entre o legado democrático do emedebista e o palanque bolsonarista

image (5)

A tentativa do PL de incorporar o legado de Iris Rezende ao seu projeto político esbarra em um obstáculo difícil de contornar: a própria trajetória do ex-governador. Essa contradição ficou evidente durante a sabatina promovida pelo jornal O Popular, quando o pré-candidato ao governo de Goiás, senador Wilder Morais, foi questionado sobre uma hipótese inevitável. Se Iris estivesse vivo, apoiaria a decisão de sua filha, Ana Paula Rezende, de deixar o MDB para disputar a vice-governadoria em uma chapa do PL?

Em vez de enfrentar objetivamente a pergunta, Wilder preferiu contorná-la. Limitou-se a afirmar que Ana Paula é empresária do agronegócio e que deixou o MDB por falta de espaço político. A evasiva não surpreende. A pergunta remete a uma questão histórica para a qual não existe resposta simples. Iris Rezende construiu sua vida pública no MDB, partido ao qual permaneceu filiado durante 56 anos, tornando-se um dos maiores símbolos da legenda em Goiás.

A carreira do ex-governador de Goiás e ex-prefeito da capital por quatro mandatos foi marcada pela resistência ao regime militar, que o cassou, retirou seus direitos políticos e o manteve afastado da vida pública durante uma década. Foi justamente no MDB que Iris encontrou o instrumento político para enfrentar o autoritarismo e participar da reconstrução democrática brasileira.

É por isso que a tentativa de associar sua imagem a um palanque identificado com o bolsonarismo desperta questionamentos. O repórter foi direto ao indagar se Iris concordaria com a presença da filha em uma chapa de um partido cuja base política abriga setores que relativizam ou defendem o período da ditadura militar. Wilder preferiu não responder. E talvez não pudesse fazê-lo sem entrar em conflito com a própria biografia do líder que hoje tenta reivindicar.

Direito que ninguém questiona

Naturalmente, Ana Paula Rezende tem plena legitimidade para construir sua própria trajetória política e fazer as escolhas partidárias que considerar mais adequadas. Isso, contudo, não elimina o debate sobre a coerência de transportar a memória de Iris para um projeto político que guarda profundas diferenças em relação aos valores que marcaram sua vida pública.

Afinidade é com o MDB

Analistas políticos ouvidos pela coluna avaliam que a identidade construída por Iris Rezende mantém maior afinidade com o MDB, hoje representado em Goiás pelo governador Daniel Vilela, do que com o campo político do PL.

Afinal, mais do que um líder eleitoral, Iris transformou-se em um símbolo da resistência democrática e da fidelidade partidária. São atributos cuja força histórica torna difícil dissociar sua memória das causas que defendeu ao longo de mais de cinco décadas de vida pública.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *