Petistas criticam em Goiás modelo de PPP que Lula estimula Brasil afora
Enquanto critica as PPPs do governo Caiado em Goiás, a oposição petista ignora que o próprio governo Lula incentiva o modelo para ampliar investimentos no saneamento. A contradição expõe um discurso seletivo, mais político do que técnico, sobre parcerias com o setor privado
A oposição goiana, especialmente setores ligados ao presidente Lula e ao PT, tem adotado um discurso crítico contra as Parcerias Público-Privadas (PPPs) implementadas pelo governo de Ronaldo Caiado na área de saneamento. O problema é que o próprio governo federal petista vem, desde 2023, estimulando esse mesmo modelo de parceria como instrumento para acelerar investimentos em infraestrutura. Decretos editados pelo Planalto flexibilizaram regras do Marco Legal do Saneamento, inclusive eliminando o antigo limite de 25% de subdelegação das estatais para o setor privado, medida que buscou ampliar a participação de investidores privados e destravar obras necessárias à universalização do serviço até 2033.
Na prática, a política defendida pelo governo Lula segue a lógica de que o Estado, sozinho, não possui capacidade financeira suficiente para universalizar o saneamento. Estimativas do setor indicam que o país ainda precisa investir mais de R$ 500 bilhões para atingir as metas de acesso à água tratada e coleta de esgoto previstas para a próxima década. O novo marco regulatório vem justamente abrindo espaço para PPPs e concessões como forma de acelerar investimentos. Desde a implementação do modelo, o setor já registrou dezenas de leilões e centenas de bilhões de reais contratados para obras em mais de mil municípios brasileiros, demonstrando que o capital privado passou a ocupar papel central na expansão do serviço.
É nesse contexto que se evidencia a contradição do discurso petista em Goiás. Enquanto parlamentares e militantes criticam a adoção de PPPs pelo governo estadual, o próprio governo federal estimula esse tipo de parceria como ferramenta indispensável para modernizar o saneamento brasileiro. O resultado é um discurso que se mostra menos técnico e mais político: condena-se em Goiás aquilo que se incentiva em Brasília. A incoerência não passa despercebida e expõe um paradoxo evidente — quando a parceria é conduzida por governos aliados, é apresentada como solução para o desenvolvimento; quando é implementada por adversários, passa a ser tratada como problema. Essa seletividade revela menos uma divergência sobre política pública e mais uma disputa retórica marcada por conveniência ideológica.
