Entre o Senado e o governo, PL se fragmenta em Goiás
Divergência entre candidatura própria ao governo e aliança estratégica ao Senado empurra partido para divisão em 2026
A ausência do senador Wilder Morais (PL) no material de divulgação do lançamento da pré-candidatura de Gustavo Gayer (PL) ao Senado, evento marcado para o dia 11/4, não é um detalhe trivial — é sintoma explícito de um racha que já não se esconde nos bastidores do PL goiano. Presidente estadual da legenda e pré-candidato ao governo, Wilder simplesmente não aparece em nenhuma peça do evento organizado por Gayer, que, por sua vez, faz questão de se cercar de nomes de peso do bolsonarismo, como Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
A omissão, deliberada ou não, expõe uma fratura política que tende a se aprofundar à medida que o calendário eleitoral avança. O distanciamento entre ambos não surgiu agora, mas ganhou contornos mais agudos a partir da insistência de Wilder em sustentar candidatura própria ao Palácio das Esmeraldas.
Ao contrariar a estratégia defendida por Gayer e pela ala mais alinhada ao bolsonarismo nacional — que via como mais pragmática uma aliança com a base do governador Ronaldo Caiado (PSD) e do vice-governador Daniel Vilela (mdb) —, Wilder passou a ser visto como um agente de desagregação interna. A avaliação desse grupo é objetiva: a prioridade estratégica deveria ser o Senado, onde Gayer desponta competitivo, e não uma candidatura ao governo com baixa viabilidade eleitoral.
Esse desalinhamento ficou ainda mais evidente nos gestos recentes. Gayer já havia se ausentado de evento de Wilder em Anápolis, em movimento interpretado como sinal de ruptura. Agora, ao ignorar completamente o nome do senador em seu próprio material de campanha, ele eleva o tom e institucionaliza o afastamento.
Dissenso político em curso
No mesmo pacote, chama atenção também a exclusão de Ana Paula Rezende (PL), vice na chapa de Wilder, reforçando a leitura de que não se trata de um ruído pontual, mas de uma dissociação política em curso.
No fundo, o que está em disputa não é apenas o rumo eleitoral do PL em Goiás, mas o controle narrativo e estratégico de um campo político. De um lado, Wilder aposta em um projeto próprio, ainda que isolado e, segundo pesquisas recentes, pouco competitivo. Do outro, Gustavo Gayer e seus aliados defendem uma lógica mais pragmática, ancorada em alianças capazes de maximizar resultados eleitorais imediatos — especialmente para o Senado.
