setembro 7, 2026

Márcio Corrêa reage a processo e levanta dúvidas sobre fidelidade partidária de Wilder

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PL goiano abre processo contra prefeito de Anápolis por suposta infidelidade partidária e aprofunda crise interna, enquanto Corrêa reage, aponta contradições e acusa projeto pessoal do presidente da legenda, Wilder Morais

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A decisão da direção do PL de Goiás de abrir processo que pode resultar na expulsão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, transformou uma divergência eleitoral em confronto aberto dentro do partido. Corrêa reagiu com duras críticas ao presidente estadual da legenda, senador Wilder Morais, e acusou a direção de aplicar dois pesos e duas medidas.

Se apoiar Daniel Vilela (MDB), adversário de Wilder na disputa pelo governo, configura infidelidade, questiona o prefeito, o mesmo critério deveria alcançar outras lideranças — inclusive o próprio senador. Corrêa cita a ausência de Wilder na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF, seu histórico de votações alinhadas ao governo Lula e até a articulação, anos atrás, em torno do nome de Alexandre de Moraes para o Supremo.

O prefeito ressalta ainda que permanece com candidatos do PL, apoiando Gustavo Gayer ao Senado e Major Vitor Hugo para a Câmara, e justifica a opção por Daniel como gesto de gratidão pelo apoio recebido em 2024. Também devolve a Wilder uma ferida daquele período: segundo ele, o senador tentou impedir sua entrada no PL, revertida somente pela intervenção de lideranças nacionais.

Politicamente, a ofensiva contra Corrêa pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário ao pretendido por Wilder: aprofundar uma crise interna em plena campanha e colocar novamente sob discussão sua condução do PL goiano. O prefeito sugere que o projeto do senador é mais pessoal do que partidário e lembra que Wilder vetou uma composição com a base governista que, na sua avaliação, poderia fortalecer a candidatura de Gayer ao Senado, exclusivamente para preservar sua própria candidatura ao Palácio das Esmeraldas.

A tentativa de punir um dos principais prefeitos do partido no Estado, portanto, expõe uma contradição incômoda: em vez de ampliar alianças e acomodar diferenças para fortalecer a legenda, o comando estadual abre uma guerra doméstica justamente quando deveria concentrar esforços nos adversários. Ao transformar Márcio Corrêa em alvo, Wilder corre o risco de fazer do processo disciplinar não uma demonstração de autoridade, mas mais um capítulo do isolamento político que acompanha sua candidatura.

 

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