Radicalização eleitoral transforma STF em inimigo político
Ataques a ministros da Suprema Corte e ao próprio judiciário revelam o ambiente de pressão permanente ao qual o STF está submetido, frequentemente instrumentalizado por atores políticos que operam na lógica do desgaste institucional como bandeira de campanha eleitoral
A escalada retórica contra o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser mero discurso ideológico para se consolidar como estratégia eleitoral calculada. Em ano eleitoral, setores da extrema-direita passaram a tratar a Corte não apenas como adversária institucional, mas como alvo preferencial de mobilização política.
O movimento é sintomático: ao transformar o Judiciário em inimigo público, pré-candidatos buscam capturar a insatisfação difusa de parcelas do eleitorado e convertê-la em capital político imediato. Na esteira desse movimento, o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) intensificou ataques diretos à Corte e seus ministros, adotando um discurso de confronto como ferramenta de visibilidade eleitoral.
A estratégia não parece acidental: ao tensionar a relação com o STF, Zema se posiciona como porta-voz de um eleitorado que vê nas decisões judiciais — especialmente aquelas envolvendo figuras da direita — um suposto excesso de poder. Trata-se de uma aposta clara na radicalização como atalho para ganhar tração nas pesquisas.
No fundo, o que se observa é a conversão do ataque ao Judiciário em ativo eleitoral. Criticar — ou mesmo achincalhar — o STF tornou-se um gesto simbólico de alinhamento com segmentos mais radicalizados, funcionando como senha de pertencimento político.
Nesse cenário, pouco importa a complexidade das decisões judiciais ou o cumprimento estrito do devido processo legal. O que prevalece é a narrativa. E, para alguns pré-candidatos, sobretudo ao Senado, quanto maior o embate com a Suprema Corte, maior a chance de colher dividendos eleitorais junto a um público que vê no conflito institucional não um problema, mas uma virtude política.
