Caiado põe INSS e Master no centro do debate presidencial
Ao colocar Lula e Flávio no mesmo campo de questionamentos, o ex-governador de Goiás tenta romper a lógica segundo a qual a eleição presidencial estaria condenada a mais um capítulo da polarização entre PT e bolsonarismo
Ronaldo Caiado (PSD) decidiu explorar um ponto sensível da corrida presidencial: o impacto dos escândalos políticos sobre a capacidade de governar o país a partir de 2027. O ex-governador de Goiás anunciou que pretende protocolar no Supremo Tribunal Federal (STF) requerimento dirigido ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a retirada do sigilo sobre informações dos inquéritos relacionados aos casos do INSS e do Banco Master. Caiado quer que sejam conhecidos os nomes dos envolvidos e o que foi apurado até agora, sobretudo nas investigações que eventualmente alcancem Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula.
O movimento tem evidente dimensão eleitoral, mas Caiado procura sustentá-lo sobre um argumento institucional: o eleitor não deveria chegar às urnas sem conhecer fatos potencialmente relevantes sobre aqueles que pretendem governar o país. “Estaremos dando um golpe à transparência e ao regime democrático brasileiro”, afirmou, caso informações essenciais permaneçam protegidas por sigilo durante o processo eleitoral.
A tese é simples: liberdade de escolha pressupõe acesso à informação, respeitados, naturalmente, os limites legais impostos às investigações em andamento. É nesse ponto que o discurso encontra sua principal aposta eleitoral. Caiado tenta convencer o eleitor de que a pergunta de outubro não deve ser apenas quem consegue vencer, mas quem terá autoridade política e condições de governabilidade depois da posse.
Na avaliação do candidato goiano, Lula ou Flávio chegariam ao Planalto consumidos pela necessidade de administrar os próprios problemas políticos e pessoais, contaminando a agenda nacional.
