outubro 30, 2026

Gayer e Nikolas: muito ódio, muitos likes e a derrota de Flávio Bolsonaro

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Não há como medir quantos votos custaram ao candidato os equívocos cometidos pelos aliados, mas a derrota deixa uma lição: a intolerância pode produzir milhões de visualizações, sem necessariamente produzir maioria nas urnas

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Nos bastidores da política, cresce a avaliação de que dois dos mais influentes aliados de Flávio Bolsonaro (PL) podem ter contribuído decisivamente para sua derrota na eleição presidencial: Gustavo Gayer (PL), deputado e senador eleito por Goiás, e Nikolas Ferreira (PL), deputado reeleito por Minas Gerais.

Seria precipitado atribuir aos dois a responsabilidade pelo fracasso eleitoral do filho de Jair Bolsonaro. Mas é inegável que ambos protagonizaram episódios que podem ter ampliado a rejeição ao bolsonarismo justamente entre os eleitores moderados, decisivos numa disputa apertada.

Gayer, durante entrevista ao canal goiano TMJ, referiu-se a apoiadores de Lula como “demônios” saídos das “catacumbas”. A tentativa de desumanizar adversários políticos expôs uma face intolerante do bolsonarismo que a campanha de Flávio precisava esconder para conquistar votos fora de sua bolha ideológica.

Nikolas, por sua vez, produziu vídeos sobre o Nordeste que provocaram reação contrária à pretendida. Segundo avaliações atribuídas a integrantes da campanha, o episódio representou um erro estratégico, mobilizou adversários e ampliou resistências ao candidato entre eleitores nordestinos.

O problema é que ambos parecem ter confundido engajamento nas redes sociais com capacidade de conquistar votos. Discursos agressivos podem entusiasmar convertidos, mas dificilmente seduzem quem procura equilíbrio, respeito e segurança institucional. Na reta final, a campanha de Lula teria conseguido transformar o receio da radicalização bolsonarista em motivação eleitoral.

A comparação com 2022 é inevitável. Naquele ano, Carla Zambelli protagonizou a cena de perseguição armada a um homem em São Paulo, episódio que provocou enorme desgaste à campanha de Jair Bolsonaro. Agora, Gayer e Nikolas passam a ser comparados à ex-deputada. São os possíveis “Zambellis de Flávio”.

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