outubro 30, 2026

Mercado perde a euforia e já não aposta todas as fichas em Flávio

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A eleição permanece aberta e pode ser decidida por movimentos de última hora

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A três dias do segundo turno, o mercado financeiro começa a descobrir que suas preferências não determinam o resultado das urnas. Embora Flávio Bolsonaro (PL) continue sendo o favorito dos agentes financeiros, a euforia que acompanhou a expectativa de sua vitória deu lugar à cautela. As últimas pesquisas mostram uma disputa apertada com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em cenário de empate técnico.

A redução da distância entre os candidatos obrigou investidores a recalibrar apostas, ampliando a volatilidade do dólar e do Ibovespa. Quem antes tratava a vitória bolsonarista como praticamente consumada agora evita prognósticos. A preferência do mercado por Flávio tem explicação: a expectativa de cortes de gastos, austeridade fiscal e redução do papel do Estado.

O problema é que o candidato promete uma economia de até R$ 250 bilhões sem esclarecer de onde sairão os recursos. Pior: relatos da imprensa especializada apontam diferenças entre seu discurso público e as promessas feitas reservadamente a investidores. A contradição alimenta dúvidas sobre a consistência de seu programa econômico. Para setores que apoiam Lula, entretanto, a questão ultrapassa a economia.

Uma vitória bolsonarista representaria o risco de retrocessos institucionais e de enfraquecimento das garantias democráticas. Há, portanto, duas concepções de país em disputa. De um lado, o mercado aposta numa agenda liberal ainda pouco esclarecida, aparentemente disposto a relativizar preocupações institucionais em nome de expectativas econômicas. Do outro, eleitores que enxergam na continuidade de Lula uma barreira contra o avanço do autoritarismo.

Embora Flávio ainda apareça numericamente à frente em levantamentos recentes, a trajetória de recuperação do petista recomenda prudência. A eleição permanece aberta e pode ser decidida por movimentos de última hora. O mercado, acostumado a precificar riscos, parece finalmente reconhecer que a democracia brasileira não cabe em suas planilhas.

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