outubro 30, 2026

O ódio ao Nordeste como expressão da intolerância

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O Brasil corre o risco de transformar o ódio em identidade política e a intolerância em instrumento legítimo de poder. Quando a origem regional passa a determinar quem merece respeito, oportunidades ou direitos, a democracia começa a ceder espaço à barbárie

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A vantagem eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais parece ter aberto as comportas de um sentimento perverso que há tempos circula nas entranhas da extrema direita brasileira: o ódio aos nordestinos.

A disputa política, que deveria ser expressão legítima da democracia, transformou-se em pretexto para manifestações de xenofobia, preconceito e intolerância. Segundo o estudo “O Nordeste no Banco dos Réus”, elaborado pela Ativaweb DataLab, foram 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos associando o Nordeste e seus habitantes ao cenário eleitoral.

O volume revela a dimensão da exposição da região ao debate político, em meio à disseminação de discursos hostis. O fenômeno ultrapassou as redes sociais. Em Goiânia, manifestações atribuídas a grupos de empresários chegaram ao absurdo de defender a não contratação de maranhenses no comércio da capital. Trata-se de uma afronta à Constituição, que consagra a igualdade entre brasileiros e proíbe discriminações fundadas na origem.

Não parece mera coincidência que essa escalada de intolerância ganhe força justamente quando aumentam as possibilidades de a extrema direita conquistar a Presidência da República. Desde 2019, com a ascensão do bolsonarismo ao poder, discursos que estigmatizam adversários e naturalizam preconceitos encontraram terreno fértil no debate público.

O mais grave é que a xenofobia deixa de ser apenas manifestação de ignorância individual para assumir contornos de comportamento político coletivo. Quando cidadãos passam a ser hostilizados por sua origem regional ou preferência eleitoral, o que está sob ataque não é apenas a dignidade dos nordestinos, mas a própria ideia de nação.

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